Do livro Vintém de Cobre

Do livro Vintém de Cobre
Texto de Cora Coralina

domingo, 23 de setembro de 2012

O ENTRECRUZAMENTO DAS ARTES



Cachoeira de garrafas pet na Expoflora
Assistindo o Globo Reporter da última sexta feira vi no Parque Nacional da Serra da Bodoquena em Mato Grosso do Sul, onde fica a cidade de Bonito  belas cachoeiras, corredeiras e o Rio Formoso preservado com muito carinho pelos habitantes locais. Lembro-me das Piraputangas que nadavam em meio à gente, os dourados e cascudos, quando estive em Bonito. Na mesma hora me veio uma bonita frase em mente: "Terra, um lugar não só da gente", pensei e lembrei-me de José Loureiro que dizia neste poema que se o peixe, o lobo, as aves pudessem falar diriam que estamos contaminando o seu lar, matando-os lentamente. Percebi  o Jornalista e o Poeta, fazendo uma releitura do mundo de modo diferente. O reporter traz a concretude das imagens denunciando o problema, mas o poeta representa com palavras  refletindo a mesma realidade captando o "sentimento do mundo" em forma de poesia. Assim "os poetas lêem a natureza, a cidade, os homens, os objetos e as coisas  que ocupam os espaços, a história e a memória social", como disse certa vez em sala de aula a Doutora em Literatura Portuguesa e professora na Universidade de São Paulo, Marlise Vaz Bride. Ainda faz mais, ele preconiza uma futura realidade quando diz que "as plantas irão morrer". Se as plantas irão morrer é o mesmo que dizer "Adeus Vida" na terra, reino de onde sai nosso alimento, incluindo a carne, pois a principal fonte de alimento do gado é o capim.
Hoje é o último dia da Expoflora na Cidade das Flores, como é conhecida Holambra. Também lá percebi o entrecruzamento entre as diversas formas de arte, pois considero o Globo Reporter um  programa de Jornalismo Artístico, assim como a poesia e a e Exposição que visitei no último sábado. Em todas as expressões artísticas a preocupação com o meio ambiente é vigente, mas o poeta capta  o "sentimento do mundo", e nos provoca porque até mesmo o pássaro diz lá do alto "Receio em terra descer". Como pode um pássaro olhando para a terra perceber que o nosso chão significa perigo para ele?
Guadalupe Vivekananda uma bióloga pesquisadora chefe substituta do Parque, mostrou-nos no programa da Globo uma plantinha nascendo em meio aos likens, entre a praia e o mar,  no Parque Nacional do Superagui. Antes era um habitat comprometido, agora em recuperação precisa de três formas de vida em simbiose. Se alguma destas biovidas morrer, comprometerá as outras duas. Se as três não puderem viver, tão pouco os peixes continuarão naquele habitat. A plantinha que nasce em meio as três formas de vida, representa um termômetro da vida, no micro ecossistema o que significa a reconstrução da vida na água e continente.
Como na mitologia, a Arca de Noé tinha dois representantes de cada espécie  (lembrando que a Arca de Noé hoje está nos laboratórios onde se guardam os genes de cada espécimen animal);  como somos o resultado desta  viagem anacrônica do tempo, temos  por estímulo  continuarmos o trabalho de restauração deste mundo paradisíaco como já o tivemos um dia, como o é em algumas regiões deste país ainda. Cada um contribuindo com o que pode fazer de melhor.
Fui costurando o comentário da semana sobre a visita à exposição e a   reportagem da globo, com o poema que me serviu de linha, deixando com muito carinho  o inspirado habitat de José Loureiro que taduz tão bem o ritmo da sua poesia, ou melhor de seus poemas; se desejarem visitá-lo poderão lê-lo na íntegra.

"Prouvera ao homem repor,
à terra a sua harmonia,
lhe volvendo a verde cor,
para cessar-lhe a agonia"

 

3 comentários:

  1. Que dizer Dona Helena? Que é magnifico o seu trbalho e que lhe estou grato pela sua informação sobre o meu blog.
    Um abraço amigo.

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  2. Bom dia Sra. Helena
    Um texto interessante.
    Parabéns pelo blog.
    Agradeço por seguir o meu blog de desenhos.
    Abraços.
    Jorge Bohaczuk.

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    1. Achei seus desenhos lindíssimos. Acho que precisarei de seu trabalhos, se Deus quiser, ainda os verá aqui comigo. Abraços

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